Não pôde conter sua euforia durante a corrida de volta à torre. O caminho íngrime lhe exigiu vinte minutos de marcha forçada na ida. Faria o percurso de volta em cinco. Estava feliz por ter deixado aquele santuário maldito. E ele havia encontrado a chave! Segurando-a forme em sua mão, passou pelo portão sem olhar para trás.
O caminho até a torre do mago era familiar. Seguindo a trilha, passou pelas jujubeiras, típicas desses lugares surreais. A lua cheia lhe servia de guia. Já devia passar das dez. Ele corria contra o tempo. Olhou fixamente a lua. A idéia de haver um lobisomem uivando neste exato momento lhe divertiu. Escutou um uivo. Se arrependeu de ter esses pensamentos perniciosos. Escutou outro uivo.
Em pouco tempo, avistou o fosso. Estava ofegante. Não podia parar. Segurava  chave tão forte que machucava. As runas entalhadas em seus pulsos ardiam loucamente. Aquele mago maluco. Por que foi lhe ouvir? Devia ter ficado na cidade. Pior, devia mesmo é ter Desistido. Seu pai sempre lhe disse que essas coisas estranhas causavam problemas mentais. O que ele pôde constatar, na prática, é que isso é verdade.
Chegou à ponte quase desmaiando. Seu peito doía. Fez a travessia lentamente. Tinha medo das runas enormes gravadas nas árvores que cresciam ali. Na verdade, tinha medo especialmente das árvores. Achava seu medo compreensível. Onde mais é possível achar árvores com um temperamento assassino crescendo sobre uma fina ponte de ferro?
– Você está atrasado.
Parou. Olhou para os lados. Qual delas havia dito isso?
– … E, parado, ficará mais, debochou a árvore guardiã.
Deu alguns passos tímidos.
– Ah.. er… contratempos, falou para o ar.
– Você está gozando com a minha cara, querido?
– Esse feiticeiro é um brincalhão mesmo, escutou de outra árvore.
– Não, é verdade…
– … mexa sua bundinha se não quiser levar uma picadinha, sim?
Apressou o passo. Agradeceu ao deus das árvores psicóticas por elas estarem hoje de bom humor. Se é que essas coisas tinham um.
– Sim, certo, sim, disse ao vento.
A ponte era enorme. Dava impressão que, no momento que o mago morresse, desabaria num fosso cheio de monstros ainda piores que essas árvores. Se é que aquela criatura centenária, irá, mesmo, morrer.
O farfalhar incessante era amedrontador. O que essas coisas queriam dele? Ganhou mais confiança quando chegou perto do final. Andou um pouquinho mais depressa. Ficou se perguntando por que aquelas árvores não cresciam no chão comum. Não se atreveria a perguntar Àqele mago maluco. Não estava /realmente/ interessado nas propriedades químicas, cínicas e/ou alquímicas dos compostos ferrosos. Ele achava que já teve aulas de alquimia para uma vida inteira. Ou várias, porque parecia cruel reencarnar e ter de estudar isso denovo.
Mas não podia ser só porque eram mágicas. As jujubeiras eram obviamente mágicas e não cresciam em solo mágico. Quer dizer, ele achava que eram mágicas. Elas davam jujubas, certo? Todo mundo sabe que jujubas possuem um encantamento de grude. Ele teve que decorar todos os encantamentos frugais para um memorável exame de recitação com uma bruxa vesga, como não lembraria? Bom, era grude ou cristalização.
Mas o solo das jujubeiras, não é mágico mesmo? Até agora, ele só viu jujubeiras em lugares sinistros. O jardim o tio Bern tinha uma jujubeira. Mas o tio Bern, no caso, tinha três olhos. Tinha duas no pátio das bruxas, mas lá a areia é encantada. Nos arredores do santuário tinha um bocado. e, claro, se alguém plantar uma jujuba, não nasce uma jujubeira – mas, o que acontece se alguém plantar uma jujuba em areia mágica?
Havia chegado na imensa porta que dava acesso À torre. Pensar em jujubas tinha sido um bom negócio, já que ele havia esquecido que tever que passar por um doloroso ritual para falhar em achar uma chave que, no fim das contas, estava a seus pés. Mas pensar em pensar em jujubas foi um péssimo negócio, já que ele havia se lembrado que teve que passar por um doloroso ritual para falhar em achar uma chave que, no fim das contas, estava a seus pés. Seus pulsos latejavam. Pegou uma jujuba de seu bolso e comeu. Tionha os bolsos cheios. Ao menos tinha aproveitado.
A porta tinha uma cor estranha e runas ainda mais estranhas. Runas estranhas pode parecer redundante, mas certamento o termo era apropriado. Tentou bater na porta, mas ela foi mas rápida e se abriu com um rangido. Ele entrou tímido no salão de entrada.

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3 Responses to

  1. Juliana disse:

    Uau = DD Quero mais!
    Gostei das jujubas *-*

  2. lonewolf disse:

    nossa, que arvores safadas eu cortava membros delas fora @.@ (no caso galhos..)

  3. Sarah ^^ disse:

    =o

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