Internet, Blogosfera e Software Livre

Quando eu era pequeno, eu tinha aula de informática na terceira, quarta série. Lá agente aprendia o que era a tal Unidade Central de Processamento, do que se tratava o Winchester, e tudo o mais. Eu pesquisava na internet no nada saudoso Altavista, no Cadê. O Altavista, aliás, beirava o ridículo. Anos depois, continuava com a mesma página “Bem vindo ao PODEROSO Altavista Brasil”. Naquela época os meninos ricos do meu colégio tinham computador em casa. Eu acho que eu tinha inveja, ou vergonha, mas eu dizia que não gostava de computadores. Eu não sabia que eu tinha nascido pra eles.


Internet é uma coisa mesmo fascinante. A blogosfera, em especial, é um fenômeno curioso. Ontem de manhã eu fui linkado pelo br-linux. Eu postei uma notícia sobre a campanha do KurtKraut para a comunidade produzir um vídeo de aproximadamente a mesma duração, contando a “verdade” sobre o SL. Ao invés de publicar minha nota (O que acho que foi uma decisão acertada, já que tratava minha opnião pessoal de uma forma pretensiosamente “imparcial”), ele publicou um link para meu blog. E, nossa, tive uma “enxurrada” de comentários. Em um só dia, foi mais lido e comentado do que todos os outros posts juntos. Pra vocês terem uma idéia:

Estat�sticas de Acesso

Que inacreditavel. Não sei se isso é uma coisa boa ou ruim: ter um blog estilo “zé ninguém” dá muito mais privacidade. Mas vou tentar responder a alguns comentários:

  • Foi dito aqui que a responsabilidade de defender o SL e a comunidade cabe aos entrevistados, e não ao apresentador. Eu respondo que, aparentemente, o Sérgio Amadeu foi preparado pra um tipo de entrevista diferente, mais amigável e menos interrompida pelo Jô. E, enquanto a oratória dele ficou longe de impecável – admito, ele foi técnico demais e não conseguiu passar o assunto para o público leigo -, se o Jô quisesse teria salvado a entrevista. E é justamente por eu achar que esse é papel dele também, sim senhor, que eu mandei minha crítica ao programa.
  • O Jô, ao insistir na tese de dar de graça e depois vender, foi um irresponsável. A dupla não se defendeu adequadamente neste ponto, mas o Jô sabia que o argumento dele tava falho. É claro que ele deu uma lida no assunto. Ele não é uma criança. 🙂
  • Não é porque o Amadeu enfatizou a abertura do código que ele é mais pro lado do Open Source do que Software Livre. Open Source é sobre um modelo de desenvolvimento como um negócio rentável e produtivo – Software Livre é sobre liberdade de quem usa e de quem distribui. Enquanto os conceitos de OS e SL se completam, Amadeu falou de SL, sim.
  • Não é só a alienação e o ridículo que é interessante na madrugada na televisão. Eu sempre gostei de boas entrevistas numa noite de sexta feira, e meu conceito de diversão não está diretamente relacionado com a entrevista anterior à do Sergio Amadeu e do Júlio Neves. Tudo bem que a Globo precisa agradar a maioria. Mas pode ser que exista mais pessoas que pensem como eu.
  • Eu sou um fanático. E acho que o Amadeu transpareceu um pouco dessa característica de alguns (espero que poucos) membros da comunidade, com a pressa dele em entrar em assuntos técnicos e expor as idéias fundamentais do movimento. Eu não conheço o Amadeu e só tive contato com ele assistindo uma palestra dele no ENSOL, sobre redes virais, e posso dizer que ele entende de verdade os motivos, a cultura e o comportamento da comunidade. E eu concordo que a abordagem “business” seria melhor que a abordagem “dar de graça e depois vender”, mas a abordagem “inclusão social” seria bem mais sadisfatória.

Acho que isso responde à maioria das pessoas. Agora eu vou ali, no EPSL, Encontro Potiguar de Software Livre – eu não fui no primeiro dia devido a uns probleminhas (basicamente: fui “só descansar” momentos antes do evento. Heheheh). 🙂

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One Response to Internet, Blogosfera e Software Livre

  1. GDA disse:

    Elias, interessante análise. Dos seus pontos, algumas considerações:

    – O Jô podia, mas não salvou… Isso acontece na vida de todo mundo, e qualquer um de nós é obrigado a encarar a realidade e, com o que tem nas mãos, procurar fazer o seu melhor.

    – E eu não acho que o “melhor”, numa entrevista sobre SL, seja sair falando de Código Aberto, que é um aspecto essencialmente técnico. Em resumo: as liberdades são o princípio e o fim, e o acesso ao código é uma condição de ligação fundamental, mas técnica e perfeitamente dispensável naquele momento.

    – No que tange ao “povão”, de nada importam os meios, mas no que o SL pode afetar as suas vidas, e isso vai muito além de computadores e SO’s. É quase que uma questão de direito do consumidor e, naquilo que eles foram proibidos de falar, do direito do cidadão (em relação às licitações, inclusão, etc…).

    – Interessa ao povo, também, saber que o SL diz respeito a “inclusão” antes mesmo de qualquer aspecto “digital” do assunto.

    – Interessa saber também que ganhar dinheiro não é feio, desde que seja com ética…

    E por aí vai…

    De tudo isso, eu insisto: mesmo acuados, eles poderiam ter driblado a situação apenas com o compromisso de manter o foco no tema: Software Livre.

    abraços e parabéns pelo excelente blog!

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